10.6.18

O que o 3º período me ensinou



   Comecei a faculdade dos meus sonhos no início do ano passado.Fui estudar em um lugar que eu não conhecia quase nada, passei a acordar bem mais cedo do que costumava. A distância faz o cansaço ser cruel, mas ele não me agarra no chão e nem estraçalha as minhas asas. Os dias ficaram mais longos e eu tenho dividido os finais de semana com a tela do meu computador. Os obstáculos batem com força, os planos não deram tão certos como eu imaginei na janela do ônibus voltando pra casa. Falando em ônibus, alguém tirou o meu celular para um lugar que ele ainda não tinha frequentado e me deu a tensão toda vez que tenho que dar sinal para um ônibus. Foi o final de março mais difícil que tive que lidar.
   Os trabalhos do terceiro período foram mais autorais e me permiti fazer alguns sozinha. Provei dos meus extremos. Senti orgulho de mim, do meu trabalho, do meu esforço. Mas eu me permiti não sentir orgulho também, de achar ruim. A minha auto-crítica continuou comigo por todos esses meses, só tentei não ser tão cruel. A gente se doa muito ao outro pra não ser taxado de egoísta enquanto nos deixamos de lado, pra amanhã.
  Nunca desenhei tanto croqui em um período. Peguei alguns livros que não tive tempo pra ler e outros que tive vontade de comprar. O meu desejo de aprender veio com garra entretanto se convencer que não se é necessário saber tudo sobre tudo é difícil, quando a gente se esbarra com o desconhecido, a perna treme, a voz falha e a o sentimento de impotência vem a tona, vamos ser sincero "viver um dia de cada vez" é mais fácil nos quotes do Instagram, o poço é bem mais fundo para quem não dorme 8 horas por noite e sente de fato as 24 horas. Eu faltei aulas de propósito, bem poucas meso deu pra contar na mão. O medo de perder algo importante me fez levantar da cama, mais do que meu corpo gostaria.
                               
    Fiz duas peças de roupa para mim mesma, as aulas de modelagem me motivaram a encarar a minha máquina de costura. Preciso melhorar, mas o primeiro passo eu dei. Quando eu as visto, eu estou encoberta de mim e olha, é uma sensação muito boa. As férias nunca foram tão desejadas, a minha cama perdeu presença para a mesa que ganhei na sala de estar que está sempre bagunçada (eu digo que é um sinal que alguém está trabalhando, tenta essa também vai que cola, né?!).
Trabalhar duro afasta, mas as realizar as nossas vontades nos aproximam de quem somos de verdade. Unir os dois lados da moeda em uma única face é uma das lições que quero que o quarto período me ensine. Eu não fiz tudo o que queria, não me dediquei tanto quanto gostaria e nem me arrisquei tanto quanto deveria. e isso é ótimo, nunca fui de caber dentro de uma caixinha. Eu sempre quero mais, eu quero enxergar mais do que os meus olhos podem alcançar. Faço da insaciabilidade (palavra que aprendi nas aulas) um dos (muitos) motivos para continuar. 
   Seja bem-vindas, férias, te ajudo com carinho, quarto período.

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