1.7.14

Li por aí: Cada vírgula é um texto inteiro ( Matheus Rocha )

"Já faz tempo desde que cresci o suficiente para deixar de sonhar apenas quando durmo. Nos dias que se seguem, tenho esquecido o que é ter uma noite de sono tão vaga a ponto de sonhar. Pelo contrário, quando em sono imagens me aparecem, chegam e formas de pesadelos. Sonhos ruins. Atormentadores.

Para o mundo adulto, do qual que eu insistentemente tento não entrar, sonhar com os olhos abertos, significa planejar. Colocar na ponta do lápis. Algo que gire em torno de um custo-benefício. Do que se é mais rentável. Do que como dizem por ai, vale mais a pena.

Aprendi desde cedo que a gente não pode ter tudo que quer. A vida não é uma sacola de presentes, do papai Noel, de onde podemos tirar infinitamente embalagens, embrulhos, papeis de presentes que guardam realizações de desejos. Hoje, é preciso escolher. Abrir mão disso, para ter aquilo. Os dois, não.

Vivo de fazer planos, que quando sonho que estão prestes a se materializar, desaparecem. Vivo de fazer planos, mas só de fazê-los. As coisas que quero, não dão certo, e as melhores acabam sendo as não planejadas.

Só não entendo por que sou capaz de sonhar tanto e tão alto, se não tenho como realizar. Não quero ser egoísta e reclamar das coisas que a vida tem me dado, mas sou ser humano. Vivo de querer mais, e mais, e mais, e nunca estar satisfeito. E eu, logo eu, que só queria realizar meus sonhos.

O problema, é que realizar sonhos custa muito caro. E sim, também, monetariamente falando. Mas a pior parte é a paciência. É dormir dezenas de noites querendo, para só depois, em um belo e distante amanhecer, ser capaz de conquistar. Isso dói. Minha vida implora por agoras.

Aprendi desde cedo que a gente não pode ter tudo que quer. Desde pequeno aprendi a parar e avaliar. Será que vale a pena isso, ou é melhor aquilo? O problema é que meu aniversário sempre foi muito perto do dia das crianças, e logo em seguida vinha o natal.

A matemática sempre esteve ao meu lado quando eu precisava decidir se queria pequenos momentos bons, divididos em três, ou se somava cada uma das parcelas e sorria um riso gigante, supondo que isso fosse bastar. Nunca basta. Quando se é criança, principalmente, cada momento é único.

Na verdade, momentos únicos acontecem para todos nós. Cada vírgula é um texto inteiro. Cada momento é pra sempre. Pra mim, pra você. Pra nós dois juntos. Vivo de fazer planos, mas só de fazê-los.

Talvez, nesse mundo de caça, sonhar ainda seja um dos únicos poucos motivos para estar vivo. Isso porque tudo anda perdendo o sentido. Sonhamos hoje, com o ter. Queremos ser maiores. Mas ainda não sei muito bem o motivo disso. Nem sei bem porque quero tanto, algumas coisas. Mas quero. Isso deveria bastar...

E eu, logo eu, que só queria realizar meus sonhos. Aprendi desde cedo que a gente não pode ter tudo que quer. Não quero ser egoísta e reclamar das coisas que a vida tem me dado, mas sou ser humano. Pra mim, pra você. Pra nós dois juntos."

2 comentários:

Paris de Priscila 2016 © Todos os Direitos Reservados

Design & Desenvolvimento por Moonly Design | Imagens Cabeçalho por Freepik