22.12.13

Li por aí: Ah, as pessoas cada vez mais sozinhas - Matheus Rocha

E no meio dessa angustia toda, eu fico aqui escolhendo as palavras que digam subjetivamente tudo aquilo que eu não tenho coragem de assumir pra mim mesmo. Desde a hora que acordo e caço o celular numa esperança fútil de um “bom dia”, ou no contar das horas que atualizo desesperadamente as redes, e verifico exaustivamente as notificações, na esperança de uma migalha de atenção. 

Eis que se passam os dias, as semanas, sei lá, lá se vai mais um ano e eu fiquei aqui, nessa mesma esperança tola de assumir um amor, uma paixão, um rosto que sorrisse de volta pra mim. Deus sabe lá quantas vezes eu já achei que tivesse encontrado o amor da minha vida, e na manhã seguinte: nada.

Tenho dessas de me aventurar, de me perder, de deixar farelos de pão, de deixar um rastro, de criar uma trilha pra ver se alguém, se algum viajante tão desnorteado quanto eu, resolva seguir, e assim, como quem não quer nada, me encontrar. Acho que li isso em algum conto de fadas, ao menos lá funcionava. Eu sei, fui idiota o suficiente pra deixar de lado toda a minha maturidade e idade adulta por uma fantasia. Por uma história que eu queria que fosse minha, e sabe Deus o quanto eu quis que desse certo.

Agora, revirando esse baú de pensamentos e escolhendo as palavras que digam subjetivamente tudo aquilo que eu não tenho coragem de assumir pra mim mesmo, percebi que o maior culpado de todas as histórias não terem dado certo, fui eu. Isso é o que acontece com quem está sempre disponível. Com quem tá sempre disposto a tentar mais uma vez. Com quem dá sempre a cara pra baterem, na esperança que desistam do tapa, ou, que, pelo menos, doa menos.

É hora de aceitar o inaceitável: eu sempre quis me apaixonar por alguém como você. Talvez um você ainda sem nome, mas que já aparece nos meus sonhos. É hora de abrir os olhos e aceitar que talvez esse alguém nunca leia todos os bilhetes nas garrafas que já lancei ao mar. Ou talvez não apareça graças a aquelas moedas que joguei na fonte, ou através do sopro das minhas velas de aniversário, dos pedidos feitos pras estrelas cadentes. Que, na verdade, nem são estrelas.

Preciso crescer, é isso. Um crescer tão maduro que não dependa mais de uma metade da laranja, ou que, pelo menos não precise mais procurar em pomar nenhum, essas coisas que a gente encontre nas prateleiras dos supermercados de bandeja. Ao contrário dos contos de fada, a vida real é extremamente mais cruel. Aqui, onde o faz de conta não tem vez, os vilões são muito mais perigosos, os mocinhos muito menos interessantes e mais cafajestes, as princesas dormem de touca e usam enchimento, e nos bailes reais, o máximo que a gente consegue encontrar, são comandas caras, copo cheios e pessoas, ah, as pessoas, cada vez mais sozinhas.


Ah, as pessoas cada vez mais sozinhas

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